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Erguer os olhos: por que razão o astrólogo tradicional observa o céu

Uma conjunção da Lua com Vénus e Júpiter, baixa no crepúsculo, bem merece que se saia de casa para a ver. Merece também que se repare em quão pouco daquilo que a torna notável aparece no tema que dela se levantaria.

Essa distância importa mais do que parece, porque várias condições tradicionais são condições de visibilidade, e a visibilidade não está no desenho.

O que o desenho deixa de fora

A fase. Que um planeta seja oriental ou ocidental em relação ao Sol — que nasça antes dele ou se ponha depois dele — altera o modo como a tradição o lê, e não vem assinalado na roda do tema.

A combustão como estado observável. A regra dos quinze graus é uma convenção. É uma aproximação a um facto real: o ponto em que um planeta se perde na luz solar e deixa de poder ver-se. Que um dado planeta, a uma dada elongação, seja de facto visível depende do planeta, da latitude e da estação.

O orto e o ocaso helíacos. A primeira manhã em que um planeta reaparece após o seu período de invisibilidade foi um acontecimento assinalado em todas as tradições antigas. Quase desapareceu da prática moderna, e é um dos pontos em que o material antigo é mais preciso.

A latitude. Os temas levantam-se em longitude. Um planeta com vários graus de latitude norte ou sul pode estar muito longe de onde a linha do aspecto sugere — o que pesa sobretudo na Lua, e numa conjunção que de outro modo se diria exacta.

A declinação e os paralelos. Questão afim, e igualmente invisível no desenho.

Porque ajuda olhar

Em parte pela razão óbvia: o sistema foi construído por gente que observava, e o seu vocabulário descreve o que via. Termos como combustão, cerco e estar sob os raios deixam de ser abstracções assim que se procurou em vão um planeta que se sabe estar ali.

Em parte por uma razão prática. O aluno que acompanhou a Lua durante um mês não precisa que lhe expliquem o que é o último quarto, e não confundirá num tema uma Lua minguante com uma crescente.

E em parte porque uma conjunção da Lua com os dois benéficos no crepúsculo é das coisas mais belas que se podem ver de uma rua da cidade, e não há razão para que uma disciplina técnica prescinda disso.

A astronomia de que um praticante realmente precisa ensina-se a par da interpretação no curso — não como preliminar, mas porque os juízos dependem dela.