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Marte e Saturno em conjunção: o aspecto menos ambíguo da tradição

A tradição matiza quase tudo. Os aspectos lêem-se através da dignidade, da recepção, da seita e da casa, e uma configuração que parece severa isoladamente pode ser inofensiva no seu lugar. Há poucas excepções, e a conjunção dos dois maléficos é a mais clara delas.

Porque este par é tratado assim

Marte e Saturno são maléficos por razões opostas, e é aí que está a questão. No esquema humoral, Marte é quente e seco por excesso, Saturno frio e seco por excesso. O que partilham é a secura — e a secura duplicada, neste sistema, é o que retira a capacidade de adaptação.

As suas significações combinadas são constantes entre as autoridades: uma destruição que é também lenta; uma violência de longa sequela; estruturas que cedem sob a força; escassez produzida pelo conflito. Não a calamidade em geral, mas uma espécie particular — o súbito que deixa uma falta duradoura.

O que a modifica

Três coisas, por ordem de peso.

A seita. Conta mais do que tudo e é o que mais vezes se omite. Saturno pertence ao dia, Marte à noite. Num tema diurno Saturno está em seita e comporta-se com mais moderação, ao passo que Marte, fora de seita, se comporta pior; de noite, ao invés. Um maléfico em seita continua maléfico; é um maléfico que age dentro de certos limites.

O signo. Uma conjunção num signo regido por um dos dois é coisa diferente de uma no domicílio de um benéfico. Em Virgem, por exemplo, Mercúrio dispõe o par, e uma disposição mercurial tende a voltar as significações para litígios, documentos e palavras em vez de para a destruição física. Os signos de terra em geral retardam a manifestação; o regente do signo diz em que departamento.

Recepção e testemunho. Um benéfico que lança um raio sobre a conjunção não a anula mas altera-lhe o desfecho — a leitura clássica é dano a que se sobrevive, ou perda depois recuperada. A recepção entre os maléficos e o regente da casa em causa conta outro tanto.

A leitura mundana

As conjunções Marte–Saturno ocorrem aproximadamente de dois em dois anos, o que as coloca abaixo das grandes conjunções Júpiter–Saturno na hierarquia mundana, mas bem acima dos trânsitos comuns. Lêem-se no tema de ingresso do ano e através dos ângulos do lugar.

O aviso tradicional respeita às eleições: começar o que quer que seja no dia exacto da conjunção tem-se por carregar a matéria com ambos os maléficos desde a origem, e nenhum pormenor favorável noutra parte do tema é tido por compensar. É um dos poucos conselhos electivos em que as autoridades não divergem.

A leitura natal, e uma cautela

Uma conjunção Marte–Saturno natal é um testemunho real e muito sobreinterpretado. O que descreve é uma constituição em que o esforço encontra resistência, muitas vezes incluindo a do próprio nativo — uma dureza que pode ser resistência ou obstrução, conforme o resto do tema.

Não é uma sentença. Que faça dano depende de que casas os dois regem, de estarem ou não em seita, de se receberem mutuamente, e do que mais os testemunha. Uma conjunção na undécima, em seita, com um benéfico em aspecto, no tema de alguém cujo trabalho exige persistência, está perto de ser um trunfo.

A disciplina é a que vale para todo o sistema: uma configuração é um testemunho, e um testemunho não é um juízo enquanto não tiver sido pesado contra os outros.

A seita, e a diferença que faz a ambos os maléficos, ensina-se desde o primeiro ano do curso.